ARTIGO: O ISOLAMENTO QUE NÃO ISOLA NADA
Publicado em 10/09/2026
Por Justiniano Borges
A Folha de hoje (10/09/2026) traz a matéria sob título : "Lula atua para estancar prejuízos com crise no STF e isolar Mendonça".
A notícia em si já é grave. Presidente da República articulando para isolar ministro do Supremo. Mas o mais grave é que a medida é inócua.
Porque não se estanca crise no STF isolando ministro. Se estanca respeitando rito, colegiado e Constituição.
O que estamos vendo é o resultado direto de um erro que começou lá atrás: a politização das indicações para a Corte.
Quando o presidente Lula escolheu nomes não pelo currículo jurídico, pela experiência e pela isenção, mas pela lealdade política, ele plantou a semente do revanchismo.
E agora colhe. Um lado se sente dono da razão. O outro lado reage. Liminar derruba colegiado. Colegiado ignora liminar. E no meio disso, a credibilidade do Supremo vai para o ralo.
Isolar o ministro André Mendonça não vai apagar a crise. Vai alimentar ainda mais a polarização dentro do próprio STF. Vai transformar a Corte em dois times de futebol, onde cada ministro joga para sua torcida.
Essa não é a função do STF. A função do Supremo é pacificar, não acirrar. É aplicar a lei, não o humor do Planalto.
A culpa tem nome e endereço.
Ela está na decisão de tratar indicação para o STF como prêmio político. De colocar na mais alta Corte do país pessoas inabilitadas tecnicamente para o cargo, mas habilitadas politicamente para defender um grupo.
O resultado está aí: um Supremo refém da crise, um governo tentando apagar incêndio com gasolina, e um país assistindo sua principal instituição jurídica virar palco de queda de braço.
Conclusão: Não se resolve crise institucional com articulação política. Resolve com respeito à lei.
Enquanto Lula insistir em isolar adversários em vez de unir o país em torno da Constituição, o prejuízo não vai estancar. Vai aumentar.
E quem paga a conta somos nós.
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