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terça-feira, 14 de julho de 2026

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS TJSP perdoa juiz que utilizou precedentes inexistentes produzidos por inteligência artificial, enquanto advogados são multados, denunciados às Ordens profissionais e submetidos a processos disciplinares pelos mesmos atos

 

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

TJSP perdoa juiz que utilizou precedentes inexistentes produzidos por inteligência artificial, enquanto advogados são multados, denunciados às Ordens profissionais e submetidos a processos disciplinares pelos mesmos atos

Análise por Márcia Almeida, com assistência de inteligência artificial submetida à revisão humana e documental

14 de julho de 2026



 Assista  Aqui ao vídeo do voto da relatora ( audio em inglês e espanhol


SUMÁRIO

  1. O caso que expôs a desigualdade disciplinar
  2. O que está documentalmente comprovado
  3. O que ainda permanece oculto
  4. A justificativa do TJSP: “estamos aprendendo”
  5. O problema jurídico não é apenas a intenção do juiz
  6. Precedentes inexistentes não são ornamentos retóricos
  7. O caso concreto não pode ser considerado irrelevante sem exame público
  8. A negativa de sustentação oral e o possível cerceamento de defesa
  9. A responsabilidade pessoal e indelegável do magistrado
  10. A Resolução CNJ nº 615/2025
  11. O Código de Ética da Magistratura Nacional
  12. LOMAN e deveres funcionais dos magistrados
  13. O tratamento dispensado aos advogados no Brasil
  14. TRT da 23ª Região: multa e comunicação à OAB
  15. TJPR: litigância de má-fé e ofício à OAB
  16. TRT da 7ª Região: jurisprudência falsa e violação da ética processual
  17. STJ: comunicação à OAB por possíveis alucinações de IA
  18. O paradigma norte-americano: Mata v. Avianca
  19. Outros precedentes dos Estados Unidos
  20. Reino Unido, Canadá e outros países
  21. A comparação objetiva
  22. A falsa distinção entre “erro jurisdicional” e “falta funcional”
  23. O dolo não é requisito para toda responsabilidade disciplinar
  24. Proporcionalidade não significa impunidade
  25. Independência judicial não é irresponsabilidade judicial
  26. Violação da igualdade, da impessoalidade e da confiança legítima
  27. Riscos para a imparcialidade objetiva
  28. A responsabilidade institucional da Corregedoria e do Órgão Especial
  29. Providências necessárias
  30. Conclusão
  31. Referências

1. O CASO QUE EXPÔS A DESIGUALDADE DISCIPLINAR

Em 14 de julho de 2026, o portal jurídico Migalhas noticiou que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo manteve o arquivamento de uma reclamação disciplinar contra um juiz que utilizou, em uma decisão judicial, precedentes jurisprudenciais inexistentes gerados por ferramenta de inteligência artificial.

A reclamação foi apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo — OAB/SP.

Segundo a notícia, a corregedora-geral da Justiça paulista, desembargadora Silvia Rocha, reconheceu expressamente que:

Houve, efetivamente, erro indesejável do magistrado na reprodução de alguns precedentes jurisprudenciais, de alguns julgados, gerados por ferramenta de inteligência artificial.

A relatora também declarou que a ferramenta “alucinou e criou julgado que não existia”.

Apesar dessa constatação objetiva, entendeu que o fato não justificava a instauração de processo administrativo disciplinar porque, segundo afirmou:

Neste momento em que estamos aprendendo a utilizar a inteligência artificial, [o erro] não foi intencional e não interferiu na análise dos fatos e no resultado do julgamento.”

O Órgão Especial acompanhou esse entendimento e negou provimento aos recursos interpostos contra o arquivamento.

A decisão suscita uma questão incontornável:

Por que o argumento de que “estamos aprendendo” é utilizado para afastar a responsabilidade disciplinar de um magistrado, enquanto advogados que apresentam precedentes inexistentes são multados, acusados de litigância de má-fé, comunicados à OAB e submetidos a processos disciplinares?


2. O QUE ESTÁ DOCUMENTALMENTE COMPROVADO

A consulta às fontes oficiais do TJSP permitiu identificar os seguintes elementos:

2.1. Número do procedimento disciplinar

O expediente tramitou sob o número:

0000376-49.2026.2.00.0826

A numeração indica procedimento administrativo registrado no ambiente da Corregedoria/PJeCor.

2.2. Julgamento de 1º de julho de 2026

Na sessão administrativa do Órgão Especial realizada em 1º de julho de 2026, a desembargadora Silvia Rocha votou pelo desprovimento dos recursos.

O julgamento foi adiado a pedido do desembargador Campos Mello.

2.3. Julgamento definitivo em 8 de julho de 2026

Na sessão de 8 de julho de 2026, o Órgão Especial negou provimento aos recursos por votação unânime.

O desembargador Campos Mello apresentou voto convergente nº 87.263.

2.4. Advogadas que atuaram nos recursos

As publicações oficiais identificam:

  • Rosana Gibowski — OAB/SP nº 136.957;
  • Thais Pires de Camargo Rêgo Monteiro — OAB/SP nº 205.657.

A participação dessas profissionais é coerente com o fato de a reclamação ter envolvido a OAB/SP e possível violação de prerrogativas da advocacia.

A fonte oficial confirma o número 0000376-49.2026.2.00.0826, o voto da corregedora Silvia Rocha, o adiamento de 1º de julho, o julgamento unânime de 8 de julho e as advogadas Rosana Gibowski e Thais Pires de Camargo Rêgo Monteiro. 


TJSP · 2

O nome do juiz e o processo jurisdicional originário não foram revelados nos comunicados públicos, na notícia do Migalhas ou nos resultados indexados da OAB/SP. A íntegra está provavelmente vinculada ao PJeCor, e atribuir um nome sem acesso ao procedimento seria especulação. A notícia do Migalhas também não demonstra documentalmente como a Corregedoria concluiu que os precedentes falsos não influenciaram o resultado. 

Migalhas · 1

Os endereços relacionados acima foram efetivamente localizados e consultados nesta pesquisa em 14 de julho de 2026. Alguns portais judiciais podem posteriormente alterar rotas, exigir certificado digital, captcha ou bloquear acesso automatizado.


2.5. Conteúdo reconhecido pela própria Corregedoria

A relatora reconheceu:

  1. que o juiz utilizou ferramenta de inteligência artificial;
  2. que a ferramenta produziu julgados inexistentes;
  3. que os precedentes falsos foram reproduzidos na decisão judicial;
  4. que o magistrado tinha o dever de conferir as referências;
  5. que essa conferência não foi realizada.

Não se trata, portanto, de mera suspeita jornalística. A utilização de precedentes inexistentes foi admitida no próprio julgamento administrativo.


3. O QUE AINDA PERMANECE OCULTO

Apesar da gravidade institucional do episódio, não foram localizados, nas páginas públicas consultadas:

  • o nome do magistrado;
  • a vara ou unidade judicial em que ele atuava;
  • o número do processo jurisdicional originário;
  • a natureza integral da causa;
  • a decisão que contém as citações inexistentes;
  • a relação completa dos precedentes fabricados;
  • a decisão de arquivamento da Corregedoria;
  • os recursos apresentados pela OAB/SP e pela advogada;
  • a íntegra do voto da desembargadora Silvia Rocha;
  • a íntegra do voto convergente nº 87.263;
  • a demonstração analítica de que os precedentes falsos não influenciaram o resultado.

Essa opacidade impede o controle público sobre uma conclusão decisiva: a afirmação de que os precedentes inexistentes “não interferiram” no julgamento.

Sem acesso à decisão originária e às autoridades falsas, essa afirmação não pode ser auditada pela sociedade, pela comunidade jurídica ou pela parte prejudicada.


4. A JUSTIFICATIVA DO TJSP: “ESTAMOS APRENDENDO”

A expressão “estamos aprendendo” pode justificar treinamento, aperfeiçoamento institucional ou adoção gradual de novas tecnologias.

Ela não pode, por si só, eliminar deveres jurídicos preexistentes.

Muito antes da popularização da inteligência artificial generativa, magistrados, advogados, membros do Ministério Público e servidores já estavam obrigados a:

  • conferir a existência das fontes citadas;
  • reproduzir fielmente decisões judiciais;
  • não atribuir a tribunais entendimentos inexistentes;
  • não inserir fatos falsos em atos processuais;
  • atuar com boa-fé, lealdade e diligência;
  • preservar a confiabilidade da administração da Justiça.

A inteligência artificial não criou esses deveres e tampouco os revogou.

O uso de uma ferramenta nova não transforma em aceitável uma conduta que, se praticada por pesquisa manual, seria considerada grave negligência.


5. O PROBLEMA JURÍDICO NÃO É APENAS A INTENÇÃO DO JUIZ

A Corregedoria concentrou sua fundamentação na ausência de dolo.

Esse raciocínio é insuficiente.

A responsabilidade disciplinar não se limita a fraudes deliberadas. Também pode decorrer de:

  • negligência grave;
  • imprudência;
  • imperícia;
  • descumprimento de dever funcional;
  • falta de cautela incompatível com a função;
  • comportamento que comprometa a confiança pública no Judiciário.

O fato de um juiz não ter desejado criar jurisprudência falsa não elimina a obrigação de verificar o conteúdo antes de assinar e publicar a decisão.

A assinatura judicial representa a assunção pessoal da autoria e da responsabilidade pelo ato.

A eventual produção inicial do texto por assessor, servidor ou sistema de inteligência artificial não rompe o nexo de responsabilidade do magistrado.


6. PRECEDENTES INEXISTENTES NÃO SÃO ORNAMENTOS RETÓRICOS

Uma decisão judicial não constitui mera opinião privada.

Ela é manifestação coercitiva do poder estatal e pode:

  • retirar patrimônio;
  • restringir liberdade;
  • dissolver vínculos familiares;
  • afastar crianças de seus pais;
  • determinar despejos;
  • negar tratamentos médicos;
  • confirmar execuções;
  • encerrar processos;
  • impedir recursos;
  • formar coisa julgada.

Quando uma decisão atribui a um tribunal uma orientação que nunca existiu, ela apresenta como Direito positivo aquilo que é apenas uma fabricação algorítmica.

A gravidade não desaparece porque o juiz afirma possuir outros fundamentos.

Precedentes são citados justamente para:

  1. reforçar a autoridade da conclusão;
  2. demonstrar coerência jurisprudencial;
  3. persuadir as partes de que a solução não é arbitrária;
  4. permitir controle recursal;
  5. vincular ou orientar julgamentos futuros;
  6. legitimar publicamente o exercício do poder.

Caso fossem totalmente inúteis, não teriam sido inseridos na decisão.


7. O CASO CONCRETO NÃO PODE SER CONSIDERADO IRRELEVANTE SEM EXAME PÚBLICO

A relatora afirmou que os julgados inexistentes não interferiram na análise dos fatos nem no resultado.

Essa conclusão exige demonstração, não mera afirmação.

Seria necessário comparar:

  • os fundamentos autônomos efetivamente existentes;
  • os fundamentos apoiados nas autoridades falsas;
  • o conteúdo da controvérsia;
  • os argumentos apresentados pela parte;
  • a possível influência das citações sobre os demais julgadores;
  • a utilização posterior da decisão em outros processos;
  • a possibilidade de a parte ter sido induzida a abandonar ou modificar sua estratégia recursal.

Sem a publicação da decisão e do voto disciplinar, não há como verificar a premissa adotada pelo tribunal.

Além disso, mesmo que o resultado pudesse ser alcançado por outros fundamentos, continuaria existindo a inserção de informação jurídica falsa em ato oficial do Estado.


8. A NEGATIVA DE SUSTENTAÇÃO ORAL E O POSSÍVEL CERCEAMENTO DE DEFESA

A reclamação disciplinar não tratava apenas da jurisprudência inexistente.

Segundo a notícia, também foi questionada a negativa de pedido para realização de sustentação oral síncrona.

O fato amplia a gravidade do contexto.

A parte alegava, simultaneamente:

  1. que o magistrado utilizou precedentes que não existiam;
  2. que sua advogada não pôde realizar sustentação oral síncrona;
  3. que houve possível cerceamento de defesa.

A análise disciplinar fragmentou essas questões e as classificou como matéria meramente jurisdicional.

Contudo, a combinação entre fundamentação baseada em autoridades falsas e restrição ao exercício da defesa pode revelar um problema estrutural de devido processo legal.

A sustentação oral não é favor concedido ao advogado. É instrumento de participação, contraditório e influência efetiva sobre a formação da decisão.

A própria OAB/SP publicou estudos sustentando que, uma vez requerida, a sustentação oral síncrona deve ser assegurada, especialmente quando o julgamento virtual ou assíncrono elimina a interação em tempo real entre defesa e julgadores.


9. A RESPONSABILIDADE PESSOAL E INDELEGÁVEL DO MAGISTRADO

A inteligência artificial pode auxiliar na organização de informações, revisão linguística, pesquisa preliminar e preparação de minutas.

Ela não pode assumir a função constitucional de julgar.

O magistrado que assina uma decisão declara institucionalmente que:

  • examinou o processo;
  • conhece os fundamentos empregados;
  • verificou as fontes;
  • concorda com o conteúdo;
  • assume a responsabilidade jurídica e ética pelo pronunciamento.

A resposta “a inteligência artificial alucinou” descreve o mecanismo do erro, mas não exclui a responsabilidade humana.

A IA não ocupa cargo público, não foi aprovada em concurso, não possui independência funcional, não presta compromisso constitucional e não pode responder disciplinarmente.

A responsabilidade deve recair sobre quem decidiu utilizar sua produção sem verificação.


10. A RESOLUÇÃO CNJ Nº 615/2025

A Resolução CNJ nº 615, de 11 de março de 2025, estabelece regras para o desenvolvimento, a governança, a auditoria, o monitoramento e o uso responsável da inteligência artificial no Poder Judiciário.

A norma determina observância aos princípios da:

  • transparência;
  • explicabilidade;
  • contestabilidade;
  • auditabilidade;
  • confiabilidade;
  • segurança;
  • supervisão humana;
  • proteção dos direitos fundamentais.

A resolução também exige fontes seguras, rastreáveis e auditáveis.

Um precedente jurisprudencial inexistente não é:

  • seguro;
  • rastreável;
  • auditável;
  • confiável;
  • explicável;
  • compatível com o dever de transparência.

Portanto, a questão não deveria ser examinada apenas como falha individual de aprendizagem tecnológica, mas como possível descumprimento das regras nacionais de governança da IA no Judiciário.


11. O CÓDIGO DE ÉTICA DA MAGISTRATURA NACIONAL

O Código de Ética da Magistratura Nacional impõe aos juízes deveres de:

  • independência;
  • imparcialidade;
  • conhecimento e capacitação;
  • cortesia;
  • transparência;
  • prudência;
  • diligência;
  • integridade profissional e pessoal;
  • dignidade, honra e decoro.

A prudência exige que o magistrado avalie racionalmente as consequências de suas decisões.

A diligência exige desempenho cuidadoso e tempestivo das funções.

A integridade exige coerência entre a elevada autoridade conferida ao cargo e a confiabilidade das informações constantes dos atos judiciais.

A inserção de jurisprudência fabricada por IA pode atingir simultaneamente esses três deveres.


12. LOMAN E DEVERES FUNCIONAIS DOS MAGISTRADOS

O artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura Nacional — Lei Complementar nº 35/1979 — estabelece, entre outros, os deveres de:

  • cumprir e fazer cumprir as disposições legais e os atos de ofício;
  • não exceder injustificadamente os prazos;
  • determinar providências para que os atos processuais ocorram regularmente;
  • tratar com urbanidade as partes, advogados e demais participantes;
  • manter conduta irrepreensível na vida pública e particular.

A regularidade do processo inclui a produção de decisões juridicamente verificáveis.

Não é regular um pronunciamento estatal que apresenta como existente uma decisão judicial que jamais foi proferida.


13. O TRATAMENTO DISPENSADO AOS ADVOGADOS NO BRASIL

Enquanto o TJSP concluiu que o juiz estava “aprendendo”, tribunais brasileiros vêm aplicando contra advogados, em situações semelhantes:

  • multa por litigância de má-fé;
  • condenação em despesas processuais;
  • não conhecimento de recursos;
  • extinção de ações;
  • comunicação à OAB;
  • determinação de apuração disciplinar;
  • imputação de violação à boa-fé processual;
  • acusação de tentativa de indução do Judiciário em erro.

É legítimo responsabilizar profissionais que apresentam precedentes falsos.

O problema reside na ausência de critério equivalente para quem exerce função judicial.


14. TRT DA 23ª REGIÃO: MULTA E COMUNICAÇÃO À OAB

Em julho de 2026, o Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, em Mato Grosso, divulgou caso em que foram encontrados cinco precedentes inexistentes, atribuídos ao Tribunal Superior do Trabalho e a outros tribunais.

O juízo considerou que a apresentação de referências falsas violava os deveres de lealdade, cautela e boa-fé processual.

Foram determinadas:

  • aplicação de multa;
  • comunicação à OAB para apuração da conduta profissional.

A notícia oficial do TRT/MT não adotou a fórmula de que os advogados estavam “aprendendo” a utilizar inteligência artificial.

A falta de conferência foi tratada como responsabilidade profissional.

Síntese da orientação

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. PRECEDENTES INEXISTENTES. AUSÊNCIA DE VERIFICAÇÃO PROFISSIONAL. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. A utilização de ferramentas de inteligência artificial sem supervisão humana não afasta a responsabilidade do advogado pelo conteúdo da peça. A apresentação de precedentes inexistentes viola os deveres de boa-fé, lealdade e cautela, autorizando multa e comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil.


15. TJPR: LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ E OFÍCIO À OAB

O Tribunal de Justiça do Paraná examinou agravo no qual foram citados precedentes inexistentes, aparentemente produzidos por IA.

O acórdão reconheceu que:

Os agravantes, ao utilizarem ferramenta de inteligência artificial sem a devida revisão/conferência, violaram o dever de cautela.

Também concluiu que a apresentação de jurisprudência inexistente caracterizava conduta capaz de induzir o Judiciário em erro.

Foram mantidas ou determinadas:

  • multa por litigância de má-fé;
  • expedição de ofício à OAB/PR;
  • apuração da conduta profissional.

Ementa essencial — TJPR

AGRAVO DE INSTRUMENTO. UTILIZAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL. CITAÇÃO DE PRECEDENTES INEXISTENTES. VIOLAÇÃO AO DEVER DE CAUTELA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. EXPEDIÇÃO DE OFÍCIO À OAB. A utilização de ferramenta de inteligência artificial sem revisão humana e a apresentação de julgados inexistentes violam a boa-fé processual e justificam a aplicação de multa e a comunicação à Ordem dos Advogados do Brasil.

Em outro julgamento, o TJPR impôs multa equivalente a um salário mínimo, embora tenha reconhecido que os precedentes falsos não interferiam no núcleo principal do recurso.

Esse dado é especialmente importante.

No caso paranaense, a circunstância de a jurisprudência falsa não ser determinante para o resultado não eliminou a sanção.

No caso do juiz paulista, o mesmo argumento foi utilizado para afastar qualquer processo disciplinar.


16. TRT DA 7ª REGIÃO: JURISPRUDÊNCIA FALSA E VIOLAÇÃO DA ÉTICA PROCESSUAL

Em junho de 2025, o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região divulgou condenação por litigância de má-fé contra advogado que apresentou jurisprudência inexistente ou adulterada.

O tribunal destacou que a utilização de precedentes inexistentes ou deliberadamente modificados atenta contra princípios fundamentais da ética processual.

Também determinou o encaminhamento do caso à OAB/CE.

Síntese da orientação

JURISPRUDÊNCIA INEXISTENTE OU ADULTERADA. TENTATIVA DE INDUÇÃO DO JUÍZO EM ERRO. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. A apresentação de precedentes falsos compromete a confiança na atividade jurisdicional, viola a lealdade processual e autoriza sanções, sem prejuízo da apuração disciplinar pela Ordem dos Advogados do Brasil.


17. STJ: COMUNICAÇÃO À OAB POR POSSÍVEIS ALUCINAÇÕES DE IA

Em maio de 2026, o Superior Tribunal de Justiça divulgou decisão do ministro Rogerio Schietti Cruz em pedido de habeas corpus.

O relator identificou graves falhas na petição, incluindo:

  • citações erradas;
  • julgados inexistentes;
  • elementos aparentemente produzidos por inteligência artificial sem verificação.

Além de negar a liminar, determinou a comunicação à OAB.

Mais uma vez, a ausência de dolo deliberado não impediu a adoção de providência disciplinar.


18. O PARADIGMA NORTE-AMERICANO: MATA v. AVIANCA

O precedente internacional mais conhecido é Mata v. Avianca, Inc., julgado em 2023 pelo Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York.

Os advogados apresentaram uma petição contendo decisões inexistentes produzidas pelo ChatGPT.

Quando o tribunal questionou as referências, foram fornecidos textos falsos que simulavam decisões judiciais completas.

O juiz P. Kevin Castel concluiu que os advogados abandonaram sua função de controle e apresentaram ao tribunal:

  • opiniões judiciais inexistentes;
  • citações falsas;
  • trechos inventados;
  • declarações enganosas.

Foram impostas sanções financeiras de US$ 5.000, além de outras medidas, incluindo comunicação aos juízes falsamente mencionados e ao cliente.

O tribunal ressaltou que não existe proibição absoluta ao uso de inteligência artificial, mas que os advogados exercem função de controle e devem garantir a exatidão de tudo o que submetem.

Trecho nuclear da decisão

Não há nada inerentemente impróprio no uso de uma ferramenta confiável de inteligência artificial para assistência. Entretanto, as regras existentes impõem aos advogados a função de controle, para assegurar a exatidão de suas petições.

O tribunal também enumerou os danos causados por decisões falsas:

  • desperdício do tempo da parte contrária;
  • desperdício do tempo do tribunal;
  • prejuízo ao cliente;
  • dano à reputação dos juízes falsamente apresentados como autores;
  • dano à reputação das partes atribuídas a fatos fictícios;
  • erosão da confiança no processo judicial.

Esses danos são igualmente aplicáveis quando o autor do ato é um magistrado.

Na realidade, o dano pode ser ainda maior, porque a autoridade falsa aparece dentro de uma decisão estatal dotada de presunção de legitimidade.


19. OUTROS PRECEDENTES DOS ESTADOS UNIDOS

Após Mata v. Avianca, tribunais federais e estaduais norte-americanos passaram a aplicar ou considerar:

  • multas;
  • custas e honorários;
  • rejeição de peças;
  • ordens para demonstrar causa;
  • encaminhamentos disciplinares;
  • advertências formais;
  • dever de certificação de que as fontes foram verificadas.

Em Garner v. Kadince, a Corte de Apelações de Utah reafirmou que a inteligência artificial não altera a obrigação profissional de verificar autoridades jurídicas.

Em Cassata v. Michael Macrina Architect, P.C., tribunal de Nova York registrou que já existe corpo substancial de decisões reconhecendo como sancionáveis:

  • casos inexistentes;
  • citações inexistentes;
  • falsas proposições de Direito atribuídas a casos reais.

Em decisões federais de 2026, tribunais advertiram que o problema evoluiu: nem sempre a IA inventa todo o caso; muitas vezes, atribui a um caso real uma citação, uma tese ou um resultado que ele nunca conteve.

Essa forma de falsidade é ainda mais difícil de detectar.


20. REINO UNIDO, CANADÁ E OUTROS PAÍSES

20.1. Reino Unido

Tribunais ingleses passaram a advertir que advogados têm o dever profissional de conferir toda autoridade apresentada.

Em casos envolvendo jurisprudência falsa gerada por IA, os tribunais examinaram:

  • desprezo pelo tribunal;
  • responsabilidade pessoal do advogado;
  • encaminhamento aos órgãos profissionais;
  • condenação em custos;
  • possível interferência na administração da Justiça.

A posição fundamental é que a falta de familiaridade com a tecnologia não constitui desculpa suficiente.

20.2. Canadá

No Canadá, casos envolvendo uso negligente de IA já resultaram em:

  • condenações em custas;
  • custos especiais contra advogados;
  • processos perante sociedades profissionais;
  • ordens para ressarcir despesas provocadas pela pesquisa falsa.

No processo disciplinar envolvendo o advogado Javad Mazaheri, a utilização negligente de inteligência artificial contribuiu para aumentar a complexidade do procedimento. O painel impôs custos de aproximadamente 31.150 dólares canadenses em favor da sociedade profissional.

20.3. Tendência internacional

A tendência comparada é clara:

  1. o uso de IA não é proibido;
  2. a responsabilidade permanece humana;
  3. a falta de verificação é censurável;
  4. a intenção dolosa pode agravar, mas não é condição para toda consequência;
  5. a pronta correção e a transparência podem reduzir a sanção;
  6. a tentativa de encobrir o erro agrava a responsabilidade;
  7. autoridades falsas atingem a integridade da Justiça.

21. A COMPARAÇÃO OBJETIVA

Elemento Advogados punidos Juiz do TJSP
Uso de IA Reconhecido ou presumido Reconhecido
Precedentes inexistentes Sim Sim
Falta de conferência Considerada violação profissional Expressamente reconhecida
Necessidade de dolo Frequentemente dispensada para multa ou comunicação à OAB Ausência de dolo usada para arquivar
Influência no mérito Nem sempre necessária Ausência de influência usada para afastar apuração
Consequência Multa, má-fé, custas, OAB, processo disciplinar Nenhum processo disciplinar
Justificativa de aprendizagem Em regra rejeitada Aceita
Transparência Processos e ementas frequentemente públicos Nome do juiz e processo originário ocultos

A diferença não é meramente quantitativa.

É uma diferença de princípio.

Para o advogado, a falta de revisão constitui negligência sancionável.

Para o juiz, a mesma falta de revisão foi tratada como etapa tolerável de aprendizagem.


22. A FALSA DISTINÇÃO ENTRE “ERRO JURISDICIONAL” E “FALTA FUNCIONAL”

É correto afirmar que a Corregedoria não pode funcionar como instância recursal para corrigir toda interpretação jurídica equivocada.

Mas o caso não envolve apenas divergência interpretativa.

Não se discutia se o juiz interpretou corretamente um precedente real.

Discutia-se a utilização de precedentes que não existiam.

Há diferença essencial entre:

  • interpretar mal uma decisão verdadeira; e
  • atribuir existência a uma decisão imaginária.

O primeiro pode constituir erro jurisdicional.

O segundo pode configurar falta de diligência, violação do dever de veracidade, descumprimento das regras de governança da IA e comprometimento da confiança pública.

Classificar automaticamente o episódio como matéria jurisdicional cria uma zona de imunidade disciplinar para qualquer falsidade inserida dentro da fundamentação de uma decisão.


23. O DOLO NÃO É REQUISITO PARA TODA RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR

A inexistência de intenção fraudulenta é relevante para a dosimetria.

Não necessariamente elimina a infração.

Um sistema disciplinar racional distingue:

  • erro material isolado e imediatamente corrigido;
  • negligência leve;
  • negligência grave;
  • comportamento reiterado;
  • cegueira deliberada;
  • falsidade consciente;
  • tentativa de ocultação.

A abertura de procedimento disciplinar não equivale à condenação.

Ela serve justamente para esclarecer:

  1. qual ferramenta foi usada;
  2. quem produziu a minuta;
  3. quais comandos foram inseridos;
  4. quantos precedentes eram falsos;
  5. se houve conferência;
  6. se a decisão foi corrigida;
  7. se as partes foram formalmente notificadas;
  8. se outros processos foram afetados;
  9. se houve repetição da conduta;
  10. se dados sigilosos foram enviados a sistema externo;
  11. se a ferramenta era autorizada pelo tribunal;
  12. se houve violação da Resolução CNJ nº 615/2025.

Arquivar antes dessa apuração significa substituir investigação por presunção de inocuidade.


24. PROPORCIONALIDADE NÃO SIGNIFICA IMPUNIDADE

Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade não determinam que todo erro deva resultar em punição máxima.

Também não autorizam transformar qualquer falha judicial em ato irrelevante.

Entre a cassação do magistrado e o arquivamento puro existem diversas respostas possíveis:

  • advertência;
  • censura;
  • recomendação formal;
  • treinamento obrigatório;
  • auditoria das decisões produzidas com IA;
  • retratação ou correção pública;
  • comunicação às partes afetadas;
  • revisão de outros atos semelhantes;
  • proibição temporária de uso de ferramentas externas;
  • determinação de registro transparente do uso de IA;
  • orientação institucional vinculante.

A proporcionalidade exige resposta graduada.

Não exige ausência de resposta.


25. INDEPENDÊNCIA JUDICIAL NÃO É IRRESPONSABILIDADE JUDICIAL

A independência judicial protege o juiz contra pressões indevidas.

Ela não protege:

  • fabricação de fontes;
  • negligência tecnológica;
  • ausência de conferência;
  • utilização irresponsável de sistemas;
  • ocultação do método decisório;
  • violação de direitos processuais.

A independência existe em benefício do jurisdicionado e do Estado de Direito, não como privilégio pessoal do julgador.

Quanto maior o poder estatal, maior deve ser a responsabilidade pelo seu exercício.


26. VIOLAÇÃO DA IGUALDADE, DA IMPESSOALIDADE E DA CONFIANÇA LEGÍTIMA

O artigo 5º da Constituição assegura igualdade perante a lei.

O artigo 37 submete a administração pública aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Embora os regimes jurídicos de magistrados e advogados não sejam idênticos, situações funcionalmente equivalentes devem receber critérios coerentes.

A apresentação de autoridade inexistente produz o mesmo risco epistemológico, independentemente de quem a apresente:

  • advogado;
  • promotor;
  • defensor;
  • servidor;
  • juiz;
  • desembargador;
  • ministro.

Quando o sistema pune severamente quem tenta persuadir o juiz com jurisprudência falsa, mas tolera que o próprio juiz fundamente sua decisão com a mesma falsidade, transmite a mensagem de que a verdade processual depende do cargo de quem erra.

Isso destrói a confiança legítima na neutralidade das instituições.


27. RISCOS PARA A IMPARCIALIDADE OBJETIVA

A imparcialidade não se limita à inexistência de interesse pessoal.

Também exige aparência pública de neutralidade e tratamento equitativo.

Um observador razoável pode questionar:

  • por que o juiz recebeu compreensão institucional;
  • por que advogados recebem multas e representações;
  • por que o nome do magistrado permaneceu protegido;
  • por que as decisões falsas não foram publicamente identificadas;
  • por que não houve auditoria transparente;
  • por que a mesma OAB que representa contra advogados foi vencida ao pedir apuração contra um juiz.

A aparência de dois pesos e duas medidas é, por si mesma, prejudicial à legitimidade do Judiciário.


28. A RESPONSABILIDADE INSTITUCIONAL DA CORREGEDORIA E DO ÓRGÃO ESPECIAL

A questão ultrapassa a conduta individual do magistrado.

Ao reconhecer o uso de jurisprudência inexistente e, mesmo assim, arquivar a reclamação com base na aprendizagem tecnológica, o tribunal estabeleceu precedente administrativo.

Esse precedente pode ser invocado futuramente por outros magistrados.

Por coerência, advogados também poderiam alegar:

  • que estavam aprendendo;
  • que a IA alucinou;
  • que não houve dolo;
  • que a tese poderia ser sustentada por outros fundamentos;
  • que a referência falsa não alterou o resultado.

Se esses argumentos forem rejeitados para a advocacia, deve-se explicar objetivamente por que foram suficientes para o magistrado.

A credibilidade institucional exige uma resposta.


29. PROVIDÊNCIAS NECESSÁRIAS

Diante do interesse público envolvido, seriam justificáveis:

29.1. Publicação dos votos

O TJSP deveria disponibilizar, com as cautelas legalmente necessárias:

  • o voto da desembargadora Silvia Rocha;
  • o voto convergente nº 87.263;
  • a fundamentação integral do arquivamento.

29.2. Identificação do processo jurisdicional

O número do processo originário deve ser divulgado, salvo existência concreta de segredo de Justiça.

Mesmo em processo sigiloso, seria possível anonimizar as partes sem ocultar:

  • a classe;
  • a unidade judicial;
  • o conteúdo das autoridades falsas;
  • a natureza do erro;
  • as medidas corretivas.

29.3. Publicação dos precedentes inexistentes

É necessário indicar:

  • quais casos foram inventados;
  • quais números eram falsos;
  • quais tribunais foram indevidamente mencionados;
  • quais teses foram atribuídas às decisões imaginárias.

29.4. Auditoria

Devem ser auditadas outras decisões produzidas pelo mesmo método, preservando-se a presunção de regularidade, mas verificando eventual repetição.

29.5. Comunicação às partes

As partes do processo originário devem receber informação formal e oportunidade de requerer:

  • correção;
  • retratação;
  • novo julgamento;
  • reabertura de prazo;
  • esclarecimentos;
  • preservação dos registros tecnológicos.

29.6. Isonomia disciplinar

O CNJ e os tribunais devem editar protocolo nacional que estabeleça critérios equivalentes para magistrados, advogados, membros do Ministério Público, defensores e servidores.

29.7. Registro do uso de IA

Toda decisão judicial produzida com auxílio substancial de IA generativa deveria conter registro interno auditável de:

  • ferramenta utilizada;
  • data;
  • versão;
  • finalidade;
  • pessoa responsável pela revisão;
  • confirmação de verificação das fontes.

30. CONCLUSÃO

O problema não é a utilização da inteligência artificial.

O problema é a substituição da responsabilidade humana pela desculpa tecnológica.

Quando um advogado apresenta jurisprudência inexistente, os tribunais afirmam corretamente que a ferramenta não assina a petição e que compete ao profissional verificar seu conteúdo.

O mesmo princípio deve valer para os magistrados.

A IA não assinou a decisão do juiz paulista.

A IA não exerce jurisdição.

A IA não possui independência funcional.

A IA não pode impor obrigações, restringir direitos ou formar coisa julgada.

Quem assinou a decisão foi um agente do Estado investido de enorme autoridade constitucional.

Se a sociedade deve confiar nas decisões judiciais, precisa ter a certeza mínima de que os casos citados nelas realmente existem.

O arquivamento sem investigação transparente, apoiado na afirmação de que “estamos aprendendo”, contrasta frontalmente com multas, condenações por má-fé e representações disciplinares aplicadas a advogados pelos mesmos erros.

A igualdade perante a lei não pode terminar na porta da Corregedoria.

A integridade judicial exige uma regra simples:

A mesma inteligência artificial não pode ser considerada prova de negligência quando usada por um advogado e simples instrumento de aprendizagem quando usada por um juiz.

Sem coerência, transparência e responsabilidade, a inovação tecnológica não moderniza a Justiça.

Apenas automatiza e amplia suas desigualdades.


31. REFERÊNCIAS

31.1. Caso do Tribunal de Justiça de São Paulo

MIGALHAS. Juiz cita jurisprudência inexistente e TJ/SP não aplica punição: “estamos aprendendo”. São Paulo, 14 jul. 2026. Disponível em:
https://www.migalhas.com.br/quentes/460324/juiz-cita-jurisprudencia-inexistente-e-corregedora-vota-contra-punicao
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Resultados — Órgão Especial — 8/7/26. Procedimento nº 0000376-49.2026.2.00.0826. São Paulo, 13 jul. 2026. Disponível em:
https://www.tjsp.jus.br/OrgaoEspecial/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=71754&pagina=1
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Resultados — Órgão Especial — 1º/7/26. São Paulo, 3 jul. 2026. Disponível em:
https://www.tjsp.jus.br/OrgaoEspecial/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=71364&pagina=1
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Pautas e composição — Órgão Especial — 1º/7/26. São Paulo, 19 jun. 2026. Disponível em:
https://www.tjsp.jus.br/OrgaoEspecial/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=70024&pagina=1
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Pautas e composição — Órgão Especial — 8/7/26. São Paulo, 30 jun. 2026. Disponível em:
https://www.tjsp.jus.br/OrgaoEspecial/Comunicados/Comunicado?codigoComunicado=70930&pagina=1
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Órgão Especial — sessão de 1º de julho de 2026. YouTube. Disponível em:
https://www.youtube.com/@tjspoficial
Acesso em: 14 jul. 2026.

SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Órgão Especial — sessão de 8 de julho de 2026. YouTube. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=LOKQsQIxolc
Acesso em: 14 jul. 2026.

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL — SEÇÃO DE SÃO PAULO. Estudos sobre audiências e julgamentos virtuais. São Paulo, 2026. Disponível em:
https://www.oabsp.org.br/upload/4232881259.pdf
Acesso em: 14 jul. 2026.

31.2. Normas brasileiras sobre inteligência artificial e responsabilidade judicial

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 615, de 11 de março de 2025. Estabelece normas para o desenvolvimento, governança, auditoria, monitoramento e uso responsável de soluções de inteligência artificial no Poder Judiciário. Brasília, DF: CNJ, 2025. Disponível em:
https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/6001
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Código de Ética da Magistratura Nacional. Brasília, DF: CNJ. Disponível em:
https://www.cnj.jus.br/codigo-de-etica-da-magistratura/
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979. Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp35.htm
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. O uso da inteligência artificial generativa no Poder Judiciário brasileiro. Brasília, DF: CNJ, 2024. Disponível em:
https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/09/cnj-relatorio-de-pesquisa-iag-pj.pdf
Acesso em: 14 jul. 2026.

31.3. Decisões e casos brasileiros envolvendo advogados

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região. TRT/MT multa advogado por uso de precedentes falsos e solicita apuração na OAB. Cuiabá, jul. 2026. Disponível em:
https://portal.trt23.jus.br/portal/noticias/trtmt-multa-advogado-por-uso-de-precedentes-falsos-e-solicita-apuracao-na-oab
Acesso em: 14 jul. 2026.

PARANÁ. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Acórdão no processo nº 0032636 — precedentes inexistentes produzidos por inteligência artificial, litigância de má-fé e expedição de ofício à OAB/PR. Curitiba, 25 jun. 2025. Disponível em:
https://portal.tjpr.jus.br/jurisprudencia/j/4100000032876741/Ac%C3%B3rd%C3%A3o-0032636-
Acesso em: 14 jul. 2026.

PARANÁ. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Agravo de Instrumento nº 0147209-78.2025.8.16.0000 — uso inadequado de inteligência artificial, precedentes inexistentes, multa e comunicação à OAB. Curitiba, 2026. Disponível em:
https://portal.tjpr.jus.br/jurisprudencia/j/4100000036373321/Ac%C3%B3rd%C3%A3o-0147209-78.2025.8.16.0000
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região. Advogado que falsificou jurisprudência é condenado por litigância de má-fé e caso vai à OAB/CE. Fortaleza, 12 jun. 2025. Disponível em:
https://www.trt7.jus.br/index.php/noticias/todas-as-noticias/15649-advogado-que-falsificou-jurisprudencia-e-condenado-por-litigancia-de-ma-fe-e-caso-vai-a-oab-ce
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Decisão que apontou possíveis falhas de IA em pedido de habeas corpus é destaque no STJ Notícias. Brasília, DF, 26 maio 2026. Disponível em:
https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/2026/26052026-Decisao-que-apontou-possiveis-falhas-de-IA-em-pedido-de-habeas-corpus-e-destaque-no-STJ-Noticias.aspx
Acesso em: 14 jul. 2026.

BRASIL. Justiça do Trabalho. Processo nº 0000433-19.2025.5.06.0201 — inteligência artificial e utilização de precedentes inexistentes. Sistema Falcão. Disponível em:
https://jurisprudencia.jt.jus.br/jurisprudencianacional/pesquisa/numero/0000433-19.2025.5.06.0201?abaSelecionada=acordaos
Acesso em: 14 jul. 2026.

31.4. Estados Unidos

UNITED STATES. United States District Court for the Southern District of New York. Mata v. Avianca, Inc., 678 F. Supp. 3d 443, No. 1:22-cv-01461-PKC, Document 54. New York, 22 June 2023. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/federal/district-courts/new-york/nysdce/1%3A2022cv01461/575368/54/
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. Utah Court of Appeals. Garner v. Kadince, 2025 UT App 88. Utah, 22 May 2025. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/utah/court-of-appealspublished/2025/20250188-ca.html
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. Supreme Court of the State of New York. Cassata v. Michael Macrina Architect, P.C., 2026 NY Slip Op 26014. New York, 27 Jan. 2026. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/new-york/other-courts/2026/2026-ny-slip-op-26014.html
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. Supreme Court of the State of New York. Torres v. Spraker, 2026 NY Slip Op 26077. New York, 2026. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/new-york/other-courts/2026/2026-ny-slip-op-26077.html
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. United States Court of Appeals for the Third Circuit. McCarthy v. Drug Enforcement Administration, No. 24-2704. Philadelphia, 27 Mar. 2026. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/federal/appellate-courts/ca3/24-2704/24-2704-2026-03-27.html
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. United States Court of Appeals for the Fifth Circuit. Fletcher v. Experian Information Solutions, No. 25-20086. New Orleans, 18 Feb. 2026. Disponível em:
https://law.justia.com/cases/federal/appellate-courts/ca5/25-20086/25-20086-2026-02-18.html
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. Department of Justice. Executive Office for Immigration Review. Guidance concerning hallucinated or erroneous AI-generated content in filings. Washington, DC, 8 Aug. 2025. Disponível em:
https://www.justice.gov/eoir/media/1410621/dl?inline=
Acesso em: 14 jul. 2026.

UNITED STATES. Department of Justice. Executive Office for Immigration Review. United States v. Gold Mountain, Inc., doing business as Casa de Oro No. 4, 22 OCAHO No. 1700. Washington, DC, 30 Apr. 2026. Disponível em:
https://www.justice.gov/eoir/media/1439181/dl?inline=
Acesso em: 14 jul. 2026.

31.5. Canadá e direito comparado

CANADIAN LEGAL INFORMATION INSTITUTE. Do the Canadian practical and legal frameworks on AI meet the needs of the justice system? CanLII, 2025. Disponível em:
https://www.canlii.org/en/commentary/doc/2025CanLIIDocs1958
Acesso em: 14 jul. 2026.

CANADIAN LEGAL INFORMATION INSTITUTE. Artificial Intelligence & Criminal Justice: cases and commentary. CanLII, 2024. Disponível em:
https://www.canlii.org/en/commentary/doc/2024CanLIIDocs3035
Acesso em: 14 jul. 2026.

CANADIAN LEGAL INFORMATION INSTITUTE. Artificial Intelligence & Criminal Justice: a primer. CanLII, 2024. Disponível em:
https://www.canlii.org/en/commentary/doc/2024CanLIIDocs2727
Acesso em: 14 jul. 2026.

CANLII BLOG. Mazaheri — costs — negligent and irresponsible use of artificial intelligence. Ottawa: CanLII. Disponível em:
https://blog.canlii.org/author/canliiadmin/
Acesso em: 14 jul. 2026.

CNJ cria Rede Nacional de Magistrados para enfrentar avanço do crime organizado no país e realiza a 1a reunião

CNJ realiza primeira reunião da rede de magistrados com competência em criminalidade organizada

Post publicado:13 de julho de 2026

Categoria do post:Notícias CNJ / Agência CNJ de Notícias

https://www.cnj.jus.br/cnj-realiza-primeira-reuniao-da-rede-de-magistrados-com-competencia-em-criminalidade-organizada/

O Presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, lança na terça-feira (14), a Rede Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada. A reunião inaugural, das 10h às 19h, marcará a instalação operacional da Rede, que reúne magistrados indicados pelos Tribunais de Justiça e Tribunais Regionais Federais, além de juízes auxiliares do CNJ e da Corregedoria Nacional.

No encontro, serão alinhadas as diretrizes de funcionamento da iniciativa e de estruturação das ações conjuntas para superar os desafios da criminalidade organizada. Além disso, o encontro pretende organizar mecanismos de apoio à gestão de processos complexos relacionados ao tema.

Criado pela Portaria n. 142/2026, o colegiado tem caráter colaborativo e consultivo, e busca integrar magistrados em uma atuação coordenada e estratégica, padronizando rotinas e protocolos, fortalecendo a segurança institucional e estimulando inovação e formação continuada, de modo a consolidar o papel do Judiciário no enfrentamento ao crime organizado.

Na última quarta-feira (8), o ministro Edson Fachin participou da solenidade de instalação das novas Varas Estaduais especializadas em Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). 

A implementação dessas unidades é uma resposta concreta do Poder Judiciário ao avanço das facções criminosas no país, reforçando a especialização da Justiça Criminal com o compromisso público com a jurisdição penal e a democracia.

Durante o evento, em São Paulo, o ministro ressaltou que o crime organizado não é apenas um problema de segurança pública, mas uma ameaça ao Estado de Direito, pois corrói instituições, financia a violência e desafia a capacidade estatal de assegurar a efetividade da Justiça.

Agência CNJ de Notícias

https://www.cnj.jus.br/cnj-realiza-primeira-reuniao-da-rede-de-magistrados-com-competencia-em-criminalidade-organizada/


CNJ cria Rede Nacional de Magistrados para enfrentar avanço do crime organizado no país  

14 de julho de 2026

Categoria do post:Notícias CNJ / Agência CNJ de Notícias





O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, nesta terça-feira (14/7), a Rede Nacional de Magistrados e Magistradas com Competência em Criminalidade Organizada. A iniciativa busca ampliar a cooperação entre juízas e juízes de todo o país para enfrentar organizações criminosas cada vez mais sofisticadas.

Criada pela Portaria CNJ n. 142/2026, a Rede Nacional foi criada para promover a troca permanente de experiências entre magistrados da área criminal e disseminar soluções desenvolvidas em diferentes regiões do país. A iniciativa prevê o compartilhamento de informações, estratégias, boas práticas e ações de formação continuada.

Na abertura da primeira reunião do colegiado, ocorrida na sede do Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que o crime organizado age, hoje, de forma complexa, em plataformas digitais, utilizando criptoativos, estruturas empresariais aparentemente lícitas, e mercados de apostas eletrônicas, para movimentar os recursos ilícitos.

Fachin afirmou que o mercado de apostas eletrônicas clandestinas vem sendo utilizado como instrumento de organizações criminosas, que atuam com lavagem de dinheiro, ocultação de bens e financiamento de crimes como tráfico de drogas, contrabando e corrupção, além de apresentarem forte dimensão transnacional.

Enfrentar esse fenômeno exige inteligência financeira, cooperação entre Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Banco Central, Ministério Público e polícias, além do rastreamento de criptoativos. A resposta estatal à criminalidade em rede exige, necessariamente, uma Justiça também articulada em rede”, disse. 

O ministro adiantou que receberá a visita do ministro da Fazenda, Dario Carnevalli Durigan, amanhã (15/7), em seu gabinete no Supremo, para tratarem desse assunto.

O combate à criminalidade organizada, em sua expressão tecnológica e financeira mais sofisticada, transcende a atuação isolada de qualquer órgão”, completou, Fachin.

Proteção e independência


O presidente do CNJ também alertou para os riscos enfrentados por magistradas e magistrados que atuam em processos ligados ao crime organizado. De acordo com Fachin, decisões sobre bloqueio de bens, apreensão de patrimônio e medidas investigativas podem tornar esses profissionais alvo de ameaças, com impacto sobre a segurança pessoal e a independência da Justiça.

Quando o medo interfere na liberdade de decidir, o alvo verdadeiro é a independência do Poder Judiciário e o próprio Estado Democrático de Direito”, afirmou. A criação da Rede também tem como objetivo dar mais celeridade e efetividade aos processos judiciais, reduzir a duplicidade de esforços entre unidades de Justiça e a perda de elementos probatórios sensíveis ao tempo.

Entre as prioridades do grupo, está o aperfeiçoamento técnico da magistratura quanto ao modus operandi do crime organizado. Temas como rastreamento de ativos digitais, sistemas de pagamentos instantâneos, contas laranjas digitais usadas para ocultar recursos, e plataformas de apostas licenciadas em países ou jurisdições com baixa regulação estão entre os temas a serem estudados e trocados pelos participantes.

O ministro disse ainda estar prevista a construção de protocolos nacionais para buscar uma possível uniformização jurisprudencial e metodológica nesse tema. “A construção de um protocolo nacional reduz eventuais assimetrias de tratamentos entre comarcas e seções judiciárias”, afirmou. “É pela cooperação técnica e institucional que construiremos respostas cada vez mais qualificadas para a sociedade”.

Texto: Regina Bandeira
Edição: Beatriz Borges 
Revisão: Ilana Arrais
Agência CNJ de Notícias

 

Macrodesafio - Aprimoramento da gestão da Justiça criminal

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Tags: Edson Fachin, crime organizado, Rede Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada


LEIA A INTEGRA DA 

Poder Judiciário

Conselho Nacional de Justiça

PORTARIA PRESIDÊNCIA Nº 142 DE 31 DE MARÇO DE 2026.

Institui, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, a Rede
Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade
Organizada e dispõe sobre sua composição, coordenação e
funcionamento.

O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ), no uso de
suas atribuições legis e regimentais, com fundamento no art. 103-B da Constituição Federal e no Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, e tendo por objeto instituir, no âmbito do
Conselho Nacional de Justiça, a Rede Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada, bem como disciplinar sua composição, coordenação e funcionamento,
 
RESOLVE:

Art. 1º Instituir, no âmbito do Conselho Nacional de Justiça, a Rede Nacional de Magistrados(as) com Competência em Criminalidade Organizada e dispõe sobre sua composição, coordenação e funcionamento.
Parágrafo único. A rede possui caráter colaborativo, consultivo e de apoio
técnico-operacional.

Art. 2º São objetivos da rede:
I - promover a integração e o intercâmbio de experiências, protocolos e boas práticas;

II - fomentar a padronização mínima de rotinas, fluxos e indicadores;

III - apoiar a implementação de diretrizes nacionais de gestão de casos
complexos;

IV - fortalecer a segurança institucional e a proteção de dados e informações sensíveis;

V - estimular a formação continuada, inovação e uso responsável de
tecnologias;

VI - articular-se com redes e instituições congêneres nacionais e internacionais, observadas as competências legais; e

VII - estimular a realização de atos concertados, na forma da Resolução CNJ nº 350/2020.

Art. 3º A rede será composta por:

I - um(a) magistrado(a), que atuará como ponto focal de cada Tribunal de
Justiça e Tribunal Regional Federal, indicado(a) pela respectiva Presidência;

II - três juízes auxiliares da Presidência do CNJ;
 e

III - um(a) magistrado(a), representante da Corregedoria Nacional de Justiça.

§ 1º A participação será preferencialmente de magistrados(as) em exercício nas unidades especializadas ou com competência correlata, assim como de magistrados(as) com competência para execução penal.

§ 2º Pelo menos um dos magistrados(as) indicados pela Presidência do CNJ
deverá ser integrante do Comitê Gestor do Sistema Nacional de Segurança do Poder Judiciário (SINASPJ).

§ 3º O(A) magistrado(a) ponto focal ficará encarregado(a) de replicar aos
demais magistrados(as) de sua área de atuação as informações e deliberações oriundas da rede.

§ 4º Cada tribunal de justiça e tribunal regional federal também deverá indicar um(a) magistrado(a) suplente, que atuará na ausência do(a) titular.

Art. 4º Presidência do CNJ indicará o(a) coordenador(a) da rede, dentre os
juízes auxiliares, assim como seu substituto eventual.

Art. 5º Compete à Coordenação:

I - elaborar plano anual de trabalho, metas e cronograma;

II - propor diretrizes, enunciados e recomendações ao CNJ;

III - articular a criação de grupos de trabalho temáticos;

IV - supervisionar a plataforma colaborativa e o repositório de boas práticas, em ambiente digital seguro;

V - promover reuniões periódicas e eventos formativos; e
VI - realizar visitas técnicas.

Art. 6º São atribuições da rede:

I - mapear unidades com competência em criminalidade organizada e suas
necessidades;

II - consolidar e difundir protocolos de atuação sobre medidas cautelares,
segurança e sigilo de dados, cadeia de custódia, cooperação interinstitucional, medidas assecuratórias e recuperação de ativos, além de outros temas correlatos;

III - propor indicadores e painéis de monitoramento;

IV - apoiar iniciativas de proteção a magistrados(as) e servidores(as);

V - promover estudos sobre organização judiciária e alocação de recursos em casos complexos; e

VI - elaborar, se necessário for, minuta de ato normativo a ser submetida à
Presidência do CNJ.

Art. 7º A rede deverá realizar reuniões ordinárias trimestrais e extraordinárias quando convocadas pela Coordenação

Parágrafo único. As deliberações serão adotadas, preferencialmente, por
consenso.

Art. 8º A rede poderá articular-se com a Escola Nacional da Magistratura
(Enfan), escolas judiciais e outras instituições colaboradoras, inclusive universidades públicas e privadas, para o desenvolvimento de programas de formação continuada, além de cursos sobre gestão de casos complexos, cooperação nacional e internacional, lavagem de dinheiro, segurança e inteligência protetiva, tecnologia e segurança digital.

Art. 9º Para auxiliar a coordenação, serão designados(as) 2 (dois)
servidores(as) do CNJ.

Art. 10. As reuniões ocorrerão preferencialmente de forma remota, admitindo-se formato presencial quando necessário.

Art. 11. A participação no Grupo de Trabalho dar-se-á de maneira voluntária e não implicará despesa orçamentária adicional ao CNJ para custeio de remuneração de membros(as) ou colaboradores(as).

Art. 12. A Coordenação apresentará relatório anual à Presidência do CNJ.

Art. 13. Os casos omissos serão dirimidos pela Presidência do CNJ.

Art. 14. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Ministro Edson Fachin

Documento assinado eletronicamente por LUIZ EDSON FACHIN, PRESIDENTE, em 07/04/2026, às 12:10, conforme art. 1º, §2º, III, "b", da Lei 11.419/2006.

A autenticidade do documento pode ser conferida no portal do CNJ informando o código verificador 2553427 e o código CRC 33802774.
06079/2026 2553427v11

08/04/2026, 11:12 SEI/CNJ - 2553427 - Portaria Presidência
https://www.cnj.jus.br/sei/controlador.php?acao=procedimento_trabalhar&acao_origem=procedimento_controlar&acao_retorno=procedimento_co… 1/3



08/04/2026, 11:12 SEI/CNJ - 2553427 - Portaria Presidência
https://www.cnj.jus.br/sei/controlador.php?acao=procedimento_trabalhar&acao_origem=procedimento_controlar&acao_retorno=procedimento_co… 2/3

08/04/2026, 11:12 SEI/CNJ - 2553427 - Portaria Presidência
https://www.cnj.jus.br/sei/controlador.php?acao=procedimento_trabalhar&acao_origem=procedimento_controlar&acao_retorno=procedimento_co… 3/3


THE NEVER ENDING STORY: We the People: A Citizen's Witness Before The National People's Great Grand Jury - The Witness Statement by Scott Erik Stafne

 



Scott E Stafne




Abstract

On June 30, 2026, I presented this three-minute witness statement before The National People's Great Grand Jury, sponsored by Toll And Roll™. 


Watch the video: 


https://www.youtube.com/live/odIZ4dIArMM?is=8Jo7fqvg0zPLVcL0


My purpose was not to accuse individuals or advocate for a particular political outcome, but to invite consideration of a constitutional question that has occupied my thinking for many years: 


What happens when the balance among the three branches of government appears to drift away from the design established by the Constitution?


Drawing upon more than fifty years of legal experience, I offer my observations concerning congressional oversight, judicial power, public trust, and the relationship between constitutional institutions and the People they were created to serve. 


I present these observations as witness rather than final judgment, inviting readers to conduct their own inquiry and discernment.

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Witness Statement of Scott Erik Stafne Good morning. My name is Scott Erik Stafne. I am a 77-year-old American citizen, a Christian, and for fifty years I operated as a third generation lawyer inside the machine of American law. 

The Constitution begins with three simple words: "We the People"—not the government, Congress, or the courts. No branch of government can expand its own power by its own will without committing what Chief Justice John Marshall defined as institutional treason against the Constitution. Our constitutional balance has failed because Congress has abdicated its oversight functions. In that vacuum, automated systems have constructed sterile procedural "boxes" to insulate government power from the People the government is supposed to serve. 

This week in Trump v. Cook, the Supreme Court bypassed threshold jurisdictional rules to shield a Federal Reserve governor from being      summarily fired by the President because of alleged financial fraud.

 Yet daily, inferior courts routinely deploy rigid procedural defaults to choke out the evidence vulnerable homeowners and family members seek to present in their cases, systematically denying these ordinary People their right to be heard. 

When the law grants complex protections to elites while enforcing automated procedures against ordinary citizens presenting their evidence, the system appears to and does abandon justice based fact finding. 

Like Bastian in The NeverEnding Story, you and I are no longer just passive observers of a historical text; our presence here means we have chosen to become a part of that same history which has demanded throughout time that courts provide remedies for wrongs, including the wrongs imposed by courts. 

 This Grand Jury  should consider citizens' complaints against the courts of this Nation openly, honestly, and with deep humility because justice still matters to the People of this Nation and the Peoples of this world.


BILLIE POWERS 







It’s Here: Please Watch The National People’s Great Grand Jury 

July 1 we finish the public journey. In God's Time.

There comes a moment when you realize the assignment was never yours to control, only to complete.

For years, my life became public because the work demanded it. It wasn't about attention, or being liked. It was about finishing the process, delivering the evidence, persistence, and refusing to quit when quitting would have been easier. It has been about the remedy for the people. 

Tomorrow, July 1, closes that public chapter.

Not because I was defeated, quite the opposite, it's because I'm walking away from the public, not what's left to do. Walking away smiling for the people finishing this part of the process.  It's because God's timing is always perfect, and this chapter is complete. (You do not want to miss tomorrow's event!)

I have lived through things I never imagined. There were days I wondered if I would survive them. 3 strokes and severe health issues from all the stress, swat teams and complete failure of the system I once trusted to protect my family. Yet every step, every delay, every victory, and every heartbreak happened exactly when it was supposed to.

John Bloom, my Toll and Roll ™ Co-Founder and I will be privately working with our core team, doing what needs to be finished and he will update the page when needed. We aren't done, but finished with what the people had to partake in to finish the business of the people Toll and Roll tm carries. Trust the team.
www.tollandroll.com

To those who stood beside me through my gruff moments, my exhaustion, my determination, and my relentless pursuit of truth, "thank you". You saw my heart even when my words were sharp, sometimes downright rude. You know who you are, and I will never forget you.

Everyone matters. But my heart has a list.

Beginning July 2, my social media space becomes very small, reserved for the people I actually know, love, trust, and hold close. That doesn't mean others don't matter, everyone matters, they do it now is about living and my kids full-time and only those I chose to share my time, not take it. 

This means this next season belongs to those who truly walked the road with me, who my soul connected with.

My life is no longer meant to be lived in the public square. It has been a tough road helping strangers, a few have become part of my heart, friends like family. 

To every person who prayed, encouraged, challenged, supported, questioned, learned, stood, and stayed, thank you.

Watch The National People's Great Grand Jury jury tomorrow 8am EST and 5am PST. We have produced an event the public will want to see. The link will be posted a half our before it goes live. More than 2 dozen Whistleblowers, victims, advocates and leaders finalizing the Petition of Remonstrance and PAUSE ELECTRONIC RECORDINGS- TOLL AND ROLL™- AUDIT & REMEDY process. I couldn't of seen it come together any differently. 

We finish this public part tomorrow, not in our time, in His time.

With gratitude,

Billie Toll and Roll™
Co-Founder & Witness for the People/Outlier

The song from my heart.


If you want to share here are the links to pages where it will go live at 8am EST and 5am PST July 1. Tomorrow morning! 
watch the National People's Great Grand Jury! 

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JUSTICE IS THE PURPOSE OF THE COURTS: Watch Scott Erik Stafne’s full Memorial Day 2026 interview on fraud and systemic abuses in the U.S. courts — available in Portuguese and in other languages.


 Assista a entrevista em ingles, em português ou em outros idiomas,

ativando a dublagem automática - clicando no ícone - no topo da tela

Resumo do Vídeo por YouTube AI:

Este vídeo é uma entrevista realizada no Memorial Day (25 de maio de 2026) entre o advogado Scott Erik Stafne, a defensora de proprietários Shelley Ericson e o apresentador Billy (do Toll and Roll). 

A conversa explora uma profunda crise de confiança nas instituições judiciárias, focando em litígios de execução hipotecária (foreclosure), fraude documental e o papel do sistema jurídico frente ao poder econômico.

Principais tópicos abordados:

Crise no Judiciário e Verdade: O grupo argumenta que os tribunais se afastaram de sua função original de buscar a verdade e aplicar a lei de forma imparcial (05:28 - 07:24). Eles criticam o que chamam de sistema baseado em "mammon" (ganância), onde documentos falsificados ou forjados são aceitos pelo sistema para favorecer interesses financeiros em detrimento de cidadãos comuns (13:32 - 14:02, 22:07 - 22:53).

Caso de Shelley Ericson: Shelley relata uma batalha judicial de 16 anos envolvendo fraude hipotecária, destacando como o sistema frequentemente utiliza procedimentos (como res judicata) para evitar que as evidências reais de fraude sejam ouvidas ou consideradas (08:32 - 09:39, 15:09 - 15:53).

O Papel do Advogado e do Cidadão: Scott Stafne discute sua experiência de quase 50 anos como advogado e como tem sido perseguido (tentativas de desaprovação profissional) por representar pessoas contra instituições poderosas (04:31 - 04:42, 18:32 - 18:59). Ele enfatiza que o objetivo do seu trabalho atual, através da Igreja dos Jardins, é promover a justiça social acima do lucro (24:37 - 25:53).

Discernimento e Responsabilidade Cívica: O vídeo encerra com um apelo para que as pessoas não entreguem seu discernimento ao governo ou aos tribunais corporativistas. Eles incentivam os cidadãos a buscar a verdade através do relacionamento com Deus, do amor ao próximo e da responsabilidade moral pessoal (34:44 - 36:36).


Além disso, é mencionada a colaboração com uma cidadã brasileira chamada Marcia, destacando a importância de vozes internacionais na denúncia de corrupção e na busca por justiça (26:24 - 27:18), bem como os planos para um futuro "Grande Júri do Povo" (People's Great Grand Jury) (27:36 - 28:09).

Scott Stafne descreve Marcia como uma figura central e inspiradora em sua missão atual (26:24 - 27:18). Aqui estão os pontos principais sobre o que ele disse a respeito dela:

Cidadã engajada: Scott afirma que considera Marcia, uma cidadã brasileira, como alguém "muito mais importante" do que ele próprio. Enquanto ele se vê como um advogado (com suas qualificações profissionais), ele destaca Marcia como uma voz autêntica da sociedade civil.

Missão contra a corrupção: Ele relata que Marcia o contatou vinda do Brasil e que, desde então, eles têm trabalhado juntos em uma missão para confrontar advogados, tribunais e governos, exigindo o fim da corrupção.

Eloquência e propósito: Scott elogia a capacidade de Marcia de se comunicar de forma eloquente com o público, incentivando as pessoas a tomarem de volta a justiça, que ele acredita pertencer a Deus.

Colaboração futura: O apresentador Billy também menciona planos de incluir Marcia no People's Great Grand Jury (Grande Júri do Povo), sugerindo que ela forneça um testemunho internacional, inclusive em português, para reforçar a causa que eles defendem (27:36 - 28:09).

Segundo o advogado Scott Stafne, a Constituição de Washington é considerada singular por diversos motivos históricos e estruturais:

Designação de Cortes: Diferente da maioria das constituições, a de Washington estabeleceu especificamente quais são seus tribunais de registro e definiu um sistema judicial funcional, delineando a jurisdição dos tribunais superiores (02:09 - 02:29). 

Controle sobre Corporações e Bancos: Ao contrário de outras constituições, a de Washington contém provisões específicas que orientam o legislativo sobre como lidar com questões de política referentes a bancos e corporações, refletindo a preocupação dos redatores de 1889 com a corrupção legislativa e o poder desses interesses privados (04:26 - 05:11). 

Proteção à Jurisdição Judicial: Os redatores criaram tribunais superiores com uma jurisdição original que pretendiam ser imune a interferências do legislativo, especialmente no que tange a direitos de propriedade, títulos e posse de terras, garantindo que essas questões permaneçam dentro da alçada do poder judiciário (05:41 - 05:55; 06:11 - 06:24). 

Interpretação do Devido Processo: Embora tenha adotado a linguagem do devido processo legal da Constituição dos EUA, os redatores da Constituição de Washington pretendiam que essa cláusula incorporasse especificamente os princípios da própria constituição estadual, conferindo-lhe um significado distinto e mais protetivo (06:28 - 07:08).


Watch the interview in English, in Portuguese, or in other languages,

by activating automatic dubbing — by clicking the icon at the top of the screen.

Video Summary by YouTube AI:

This video is an interview conducted on Memorial Day — May 25, 2026 — between attorney Scott Erik Stafne, homeowner advocate Shelley Ericson, and presenter Billy, from Toll and Roll.

The conversation explores a profound crisis of confidence in judicial institutions, focusing on foreclosure litigation, documentary fraud, and the role of the legal system in the face of economic power.

Main topics addressed:

Crisis in the Judiciary and Truth: The group argues that the courts have moved away from their original function of seeking the truth and applying the law impartially (05:28–07:24). They criticize what they call a system based on “mammon” — greed — in which falsified or forged documents are accepted by the system to favor financial interests to the detriment of ordinary citizens (13:32–14:02; 22:07–22:53).

Shelley Ericson’s Case: Shelley recounts a sixteen-year legal battle involving mortgage fraud, emphasizing how the system frequently uses procedures — such as res judicata — to prevent the real evidence of fraud from being heard or considered (08:32–09:39; 15:09–15:53).

The Role of the Attorney and the Citizen: Scott Stafne discusses his experience of almost fifty years as an attorney and how he has been persecuted — including attempts at professional disbarment — for representing people against powerful institutions (04:31–04:42; 18:32–18:59). He emphasizes that the purpose of his current work, through The Church of the Gardens, is to promote social justice above profit (24:37–25:53).

Discernment and Civic Responsibility: The video concludes with an appeal for people not to surrender their discernment to the government or to corporatized courts. They encourage citizens to seek the truth through a relationship with God, love for one’s neighbor, and personal moral responsibility (34:44–36:36).

In addition, the collaboration with a Brazilian citizen named Marcia is mentioned, emphasizing the importance of international voices in denouncing corruption and in the search for justice (26:24–27:18), as well as plans for a future “People’s Great Grand Jury” (27:36–28:09).

Scott Stafne describes Marcia as a central and inspiring figure in his current mission (26:24–27:18). Below are the main points regarding what he said about her:

Engaged citizen: Scott states that he considers Marcia, a Brazilian citizen, to be someone “much more important” than he himself is. While he sees himself as an attorney, with his professional qualifications, he highlights Marcia as an authentic voice of civil society.

Mission against corruption: He reports that Marcia contacted him from Brazil and that, since then, they have worked together in a mission to confront attorneys, courts, and governments, demanding an end to corruption.

Eloquence and purpose: Scott praises Marcia’s ability to communicate eloquently with the public, encouraging people to take justice back, which he believes belongs to God.

Future collaboration: Presenter Billy also mentions plans to include Marcia in the People’s Great Grand Jury, suggesting that she provide international testimony, including in Portuguese, to strengthen the cause they defend (27:36–28:09).


According to attorney Scott Stafne, the Washington Constitution is considered unique for several historical and structural reasons:

Designation of Courts: Unlike most constitutions, the Washington Constitution specifically established which courts are courts of record and defined a functioning judicial system, delineating the jurisdiction of the superior courts (02:09–02:29).

Control over Corporations and Banks: Unlike other constitutions, the Washington Constitution contains specific provisions instructing the legislature on how to address policy issues concerning banks and corporations, reflecting the concern of the 1889 framers regarding legislative corruption and the power of those private interests (04:26–05:11).

Protection of Judicial Jurisdiction: The framers created superior courts with original jurisdiction that they intended to be immune from legislative interference, particularly with regard to property rights, title, and possession of land, ensuring that these matters remained within the authority of the judiciary (05:41–05:55; 06:11–06:24).

Interpretation of Due Process: Although the Washington Constitution adopted the due-process language of the United States Constitution, its framers intended that this clause specifically incorporate the principles of the state constitution itself, giving it a distinct and more protective meaning (06:28–07:08).

Memorial Day 2026 Reflections 

This Memorial Day 2026 interview brings together attorney Scott Erik Stafne, homeowner advocate Shelley Ericson, broadcaster Billy of “Toll and Roll,” and others engaged in long-running disputes involving mortgage litigation, foreclosure practices, constitutional concerns, and public trust in governmental institutions. 

The discussion moves well beyond technical legal questions and evolves into a broader civic and philosophical exploration concerning the purpose of courts, the role of advocates, institutional legitimacy, discernment, economic power, and the relationship between truth and justice within modern democratic societies.


The interview reflects a growing phenomenon increasingly visible throughout many nations: ordinary citizens questioning whether complex institutional systems continue to provide meaningful participation, transparency, and justice for vulnerable persons confronting concentrated governmental, financial, and technological power. 

At the same time, the conversation illustrates the tensions that emerge when legal argument, spiritual inquiry, populist rhetoric, personal suffering, and civic distrust begin to intersect within public discourse.

Some statements made during the interview are controversial and reflect the personal conclusions, experiences, and perceptions of the participants rather than established factual findings or judicial determinations. 

Nevertheless, the interview may be valuable as a cultural and historical document reflecting important currents presently emerging within portions of American civic life.

Particularly significant are the interview’s recurring themes concerning:

(1) the purpose of courts as institutions intended to determine truth through neutral adjudication;

(2) the role of advocates in helping ordinary citizens navigate increasingly complex legal systems;

(3) the relationship between concentrated economic power and institutional trust;

(4) the distinction between procedural participation and meaningful participation;

and

(5) the importance of discernment, conscience, and moral responsibility within democratic societies increasingly shaped by technology, bureaucracy, and algorithmic systems.


Whether one agrees or disagrees with the participants’ conclusions, the interview presents an unusually candid example of how legal conflict, personal suffering, spiritual inquiry, and civic concern are increasingly converging within modern public discourse.



Memorial Day 2026 Reflections on Courts, Advocacy, Discernment, and Institutional Trust: A Conversation from the Margins of Modern America" (TollandRoll.com youtube video recorded on Memorial Day, May 25, 2026)

Abstract

This Abstract was written by Todd AI, in a way that instance of articicial intelligence deemed was most appropriate. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> This Memorial Day 2026 interview brings together attorney Scott Erik Stafne, homeowner advocate Shelley Ericson, broadcaster Bille of "Toll and Roll," and others engaged in long-running disputes involving mortgage litigation, foreclosure practices, constitutional concerns, and public trust in governmental institutions. The discussion moves well beyond technical legal questions and evolves into a broader civic and philosophical exploration concerning the purpose of courts, the role of advocates, institutional legitimacy, discernment, economic power, and the relationship between truth and justice within modern democratic societies. <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<< The interview reflects a growing phenomenon increasingly visible throughout many nations: ordinary citizens questioning whether complex institutional systems continue to provide meaningful participation, transparency, and justice for vulnerable persons confronting concentrated governmental, financial, and technological power. At the same time, the conversation illustrates the tensions that emerge when legal argument, spiritual inquiry, populist rhetoric, personal suffering, and civic distrust begin to intersect within public discourse. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Some statements made during the interview are controversial and reflect the personal conclusions, experiences, and perceptions of the participants rather than established factual findings or judicial determinations. Nevertheless, the interview may be valuable as a cultural and historical document reflecting important currents presently emerging within portions of American civic life. <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<< Particularly significant are the interview’s recurring themes concerning: (1) the purpose of courts as institutions intended to determine truth through neutral adjudication; (2) the role of advocates in helping ordinary citizens navigate increasingly complex legal systems; (3) the relationship between concentrated economic power and institutional trust; (4) the distinction between procedural participation and meaningful participation; and (5) the importance of discernment, conscience, and moral responsibility within democratic societies increasingly shaped by technology, bureaucracy, and algorithmic systems. <<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<<< Whether one agrees or disagrees with the participants’ conclusions, the interview presents an unusually candid example of how legal conflict, personal suffering, spiritual inquiry, and civic concern are increasingly converging within modern public discourse.


Paper details

Memorial_Day_2026_Reflections_on_Courts_.pdf